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Coisas Japonesas: KAITEN ZUSHI por Josh Wilbur (EUA, Programa Acceleration) Embora eu já venha morando no Japão há dois anos, ainda não consegui pegar o jeito para cozinhar ou preparar comidas típicas japonesas. Eu simplesmente não tenho o talento, o estilo ou, mais francamente, a habilidade de ler o que eu estou comprando. Por isso, quando surge a vontade de comer algo diferente de arroz com curry instantâneo ou risoto, ou um Miojo, preciso me dirigir até os restaurantes locais. Geralmente aceito os conselhos de meu amigo, ou o "osusume" da loja, e utilizando este sistema, provei as maravilhas do bife de Kobe, do Okonomiyaki de Hiroshima, do Morioka Reimen, dentre outros.
Conforme entramos no restaurante, fomos saudados com o obrigatório "Irasshaimase", e nos solicitaram que sentássemos e aguardássemos por uma mesa. Como acontece com qualquer "iguaria", havia muitas pessoas aguardando para comer, e com um preço tão baixo, era de se esperar. Quando nosso nome foi chamado, sentamos no balcão e preparamos nossa área.
Na sua frente encontram-se todos os acessórios, seu ketchup e mostarda, por assim dizer. Molho de soja para seu sushi, "molho" para colocar no seu sushi de enguia, e fatias de gengibre para "purificar o paladar" (e foi-me dito que ele também elimina quaisquer germes no peixe; é cru, afinal de contas). Além disso tudo há também saquinhos de chá, uma torneira de água quente, e xícaras feitas do mesmo material dos ônibus espaciais, já que a água vem na mesma temperatura de rocha no estado líquido. Quanto a isso no entanto, tudo bem, já que enquanto você espera o seu chá esfriar a uma temperatura na qual é segura bebê-lo, você pode observar os pratos em movimento e pensar novamente o por quê você optou por comer peixe cru, intestinos de ouriço-do-mar, e grãos de soja fermentados.
Meu maguro chegou, e fui presenteado com mais um "yorokonde", o qual foi novamente repetido por todo o staff. A pessoa ao meu lado, que havia pedido camarão, também recebeu uma rodada de "yorokonde", e percebi que eu não havia aprendido simplesmente uma novo vocábulo para atum. "Significa 'alegremente'", meu amigo me explicou, "é somente para agradecê-lo por ter solicitado". Aceitei a explicação e comecei a saborear a refeição. Ao longo da qual ouvi muitas outras formas de expressão de felicidade do staff, que não se limitaram apenas às horas em que as pessoas faziam pedidos. "Alegremente", gritou um conforme colocava uma nova remessa de sushi. Isso foi, é claro, seguido pelo restante do staff, de forma parecida com a "ola" de um evento esportivo. Ponderei se a clientela poderia juntar-se à gritaria também, e fiz essa pergunta ao meu amigo. "Não, nem pense nisso", disse ele, conforme terminava de comer o que explicou que era a melhor parte de um caranguejo, e que, é claro, é uma iguaria.
"Alegremente." (alguém havia acabado de pedir uma cerveja, e melão fresco estava sendo colocado, então essa exclamação circulou ainda um pouco mais). "Bem, é a coisa boa BARATA. Por boa, quero dizer cara... mas custa somente 100yen, então é a coisa barata, mas se fosse outro tipo de restaurante, IRIA ser a coisa boa e CARA, então.. bem... apenas relaxe e aproveite". "Com prazer" (Uma saudação para uma família que tinha acabado de terminar, e estava se dirigindo ao caixa). Observei o bife vindo pela esteira, e decidi que esse seria meu décimo prato (o número 9 havia sido o de uni, e queria eliminar o gosto da "coisa boa" da minha boca, e o gengibre não estava funcionado). No momento em que estava prestes a pegá-lo um menino, de não mais de 6 anos de idade, deu o bote e pegou o prato na minha frente, sorriu pra mim sem os dois dentes da frente, virou de volta pra sua mesa, e rapidamente devorou o MEU sushi. "Aquele garoto acabou de pegar o sushi que eu queria, e era o último", choraminguei pro meu amigo. "Simplesmente peça outro", respondeu. "Eu queria aquele, tinha uma grande fatia de carne, na medida certa". "Ok, então pegue o próximo que ele for pegar", disse, "ah, espere, mas ele está na sua frente. Ok, pegue o que eu estiver querendo, da próxima vez". "Mas se eu fizer isso, vou ter que comer aquele sushi de uni de novo, e já foi bem ruim da primeira vez". "Então como eu". "Então, basicamente, não tem como eu sair vitorioso, certo?" "Certo, agora me passa o de caranguejo... o garoto está de olho nele". Meu próximo prato foi de ika, ou lula, que é um pedaço branco de sushi que parece ter sido semi-fatiado por algum motivo, e é extremamente borrachudo. Ele tem, no entanto, um bom sabor, então eu o recomendo. Agora, a maneira correta de comer sushi não é com pauzinhos, mas sim pegar a unidade, mergulhá-la pelo lado do peixe no molho de soja, e colocá-lo na sua boca. Eles são feitos em porções para serem comidas em uma só "bocada", então isso não é problema. O problema surge quando o que você colocou na sua boca está carregado de wasabi, rábano japonês, debaixo do pedaço de peixe. Uma queimadura de wasabi não se cura bebendo o chá pelando de quente que você tem em mãos, isso apenas agravaria a dor, pois uma queimadura de wasabi ataca diretamente a língua e a sinusite. Ele ataca rapidamente e não é uma experiência agradável, e qualquer amigo maldoso, assim como o meu, terá uma grande oportunidade de extrair prazer de seus momentos de dor. "Queimaduras?" "Quer o outro pedaço? Não está tão ruim", disse eu, conforme lágrimas desciam pelo meu rosto. "Vou ficar com o de salmão coberto de maionese e cebola", respondeu ele, conforme o pegava. "Covarde". Depois de mais alguns pratos, terminamos nosso jantar, eu, preenchendo qualquer espaço que restou no meu estômago com fatias de gengibre e chá verde, e solicitamos nossa conta.
O Atom Boy Sushi fica do lado oposto ao Denny's, e em frente ao
Mandaraya Billiard Hall, na avenida 248. Aberto das 11 da manhã, às 10 da noite.
Todos os pratos custam 100yen, exceto Chahan e cerveja. E soba.
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