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ENTREVISTANDO O ALUNO: Gisele Hirata (SILAC)

Gisele Hirata
Gisele Hirata

Gisele, do Brasil, está no Japão há um ano e meio, e começou a estudar recentemente no programa SILAC. Ela também está trabalhando no International Office, traduzindo a homepage do inglês para o português.

Jon: Você tem um tempo para uma entrevista para o informativo desta semana?
Gisele: Sim, claro.

J: Como vai indo o curso?
G: É intensivo - acho que minhas habilidades de compreensão oral melhoraram muito, mas não sinto segurança em conversação ainda.

J: Você acha que tem tempo suficiente para estudar depois das aulas, enquanto também trabalha no International Office ?
G: Não é problema. Na verdade sou meio preguiçosa e não gosto de estudar, então se eu não estivesse trabalhando, iria provavelmente estar fazendo alguma outra coisa.
J: Então você consegue acompanhar o ritmo do programa?
G: Bem, se você não estudar em casa, ou não fizer suas tarefas, irá provavelmente ficar pra trás. Eu sinto que, se não me preparo para as lições do dia seguinte, fico meio perdida durante a aula.

J: Como você descobriu a Yamasa?
G: Em junho fui ao Nagoya International Center e vi alguns panfletos que traziam informação sobre a Yamasa. Consegui maiores informações de contato através de uma amiga, e então vim visitar a escola no mesmo mês.

J: O que você fazia antes de inscrever-se no programa SILAC?
G: Estava trabalhando em Kariya, uma cidade a cerca de 15km de Okazaki.
J: E que tipo de trabalho você fazia?
G: Estava trabalhando numa fábrica que fazia peças automotivas para uma empresa chamada Denso.
J: O trabalho ajudou a melhorar seu japonês?
G: Não muito.
J: Por quê?
G: Em primeiro lugar, porque havia muitos brasileiros na fábrica, e depois porque não podíamos conversar enquanto estávamos trabalhando. E também, durante o almoço, os brasileiros sentavam-se sempre juntos.
J: Separados dos empregados japoneses?
G: Sim. Acho que isso acontecia principalmente devido à barreira lingüística, e porque era mais conveniente. Alguns brasileiros levam uma vida dura no Japão, e preferem não conversar com japoneses. Alguns japoneses pareciam não gostar de nós, embora outros fossem muito simpáticos e tentassem ajudar sempre que podiam.
J: Muitos dos brasileiros falavam japonês?
G: Não, não muitos. Tudo o que você precisasse, quisesse, ou tivesse que fazer, poderia de alguma forma ser conseguido ou arranjado por alguém que pudesse falar português, então não era necessário falar em japonês na maior parte do tempo.
J: Como você veio para trabalhar na empresa?
G: No Brasil, uma agência estava anunciando empregos e eles organizaram tudo - foi tudo muito fácil. Todos que vieram do Brazil tinham parentesco japonês, então o visto não foi problema.
J: Então eu assumo que você tenha parentes japoneses também?
G: Sim, meus avós/bisavós vieram do Japão e moram no Brasil, e meus pais vivem numa cidade chamada São José dos Campos, a uma hora de São Paulo. Eu morava em São Paulo com meu irmão mais novo, pois fiz faculdade lá.
J: No que você se formou?
G: Administração de Empresas.

J: O que você acha da equipe de professores do SILAC?
G: Acho que eles são muito bons, sempre dispostos a ajudar, e sempre muito 'genki', o que é importante pois às vezes você precisa que o professor o motive.

J: Como é a sua acomodação na Residence U?
G: Boa, gosto dela. Tudo era novo quando eu me mudei pra ela, e foi perfeito pra mim. O único ponto negativo é que não há espaço pra preparar a comida, já que a chapa elétrica ocupa o espaço ao lado da pia da cozinha; e você pode escutar um pouco seus vizinhos.

J: Como Okazaki se compara a Kariya City?
G: Kariya city é realmente pequena, então fiquei surpresa em ver quão grande Okazaki era, quando mudei-me pra cá.

J: Você já havia estado no Japão antes de vir trabalhar em Kariya City?
G: Não.
J: Você já sabia muito sobre o Japão antes de vir pra cá?
G: Aprendi um bocado através da minha família - meu avô imigrou do Japão para o Brasil. Em São Paulo há um bairro japonês onde você pode encontrar qualquer coisa do Japão, então tive um bocado de contato com a cultura, comendo comidas japonesas, lendo revistas sobre o Japão etc.

J: Você estudou japonês antes de vir?
G: Estudei um pouco.

J: Por que você decidiu vir ao Japão?
G: Eu queria aprender japonês, e achei que trabalhando iria ser uma boa forma de fazer isso, sem ter que entrar num programa de línguas, mas isso não aconteceu.
J: Alguma outra razão?
G: Hmm, sim, queria fazer uma mudança na minha vida.

J: Depois que você terminar os estudos/trabalho na Yamasa, o que pretende fazer?
G: Dependerá do meu nível de japonês. Tenho que tentar aprender o mais rápido possível.
J: Voltará ao Brasil ou pretende ficar no Japão?
G: Novamente, irá depender do meu nível de japonês. Gostaria de fazer algo relacionado a vendas ou marketing, e sei que se você pode falar japonês, isso pode ajudar a conseguir um emprego em muitas companhias japonesas no Brasil.

J: Algum conselho para as pessoas vindo ao Japão para estudar?
G: Quando você vem e realmente quer aprender a língua, tem que estudar com afinco, e faça muitos amigos para ter algum apoio, pra que você não se sinta muito sozinho. Oh, e já vi isto antes nas entrevistas, mas concordo - você definitivamente deve aprender hiragana e katakana - isso irá poupar um bocado de tempo!

J: Como é trabalhar no International Office ?
G: O ambiente é bom. Não tem sempre alguém te fiscalizando, e você pode trabalhar no seu próprio ritmo.

J: E, finalmente, alguma mensagem para nossos leitores?
G: Sim, é algo que o explorador Shackleton disse. Não sei em inglês, então terei que dizer em português:

"Os homens marcham aos confins do mundo por diferentes motivos. Alguns são impelidos somente pelo desejo de aventura; outros sentem uma intensa sede de saber; os terceiros obedecem à sedutora chamada de uma voz interior, ao encanto misterioso do desconhecido que os afastam dos caminhos rotineiros da vida cotidiana."

J: Obrigado pelo tempo dispensado.
G: Sem problema!


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