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ENTREVISTANDO O ALUNO: Fay Yuan Chen
(EUA/Discovery)
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| Fay Yuan Chen |
Declan: Obrigado pela entrevista. Acho que você foi uma das primeiras estudantes
a fazer um
programa discovery de duas semanas?
Fay: Sim, foram 2 semanas de estudos e então 8 dias nas estradas.
D: Em qual nível você iniciou?
F: Iniciante. Já havia feito um curso de 7 semanas durante meu primeiro ano na
faculdade, mas não conseguia me lembrar muito do que aprendi.
D: O que e onde você estava estudando?
F: Acabei de terminar. Estudei Relações Internacionais e Economia na Johns
Hopkins, em Baltimore.
D: Então este é um tipo de viagem de formatura pra você?
F: Sim, é isso aí. Fui à Europa durante duas semanas, principalmente em torno de
Londres, então Espanha, França, Itália e Suíça. Voltei então para casa por dois dias, antes
de entrar num avião para vir pra cá.
D: É sua primeira vez no Japão?
F: Sim, é.
D: Por que o Japão? O que fez você decidir que "depois da formatura, vou ao Japão"?
F: Sou fascinada por ele. Meus avós sempre falavam japonês dentro de casa, já que eles
cresceram durante a ocupação japonesa de Taiwan; e também porque, na faculdade, eu estava
estudando com foco na Ásia Oriental.
D: Você cresceu em Taiwan?
F: Não, nós nos mudamos aos EUA quando eu tinha apenas um ano de idade, mas
meus avós foram pra lá, então foi aí que eu os ouvi falando japonês.
D: Quem eram seus professores no programa?
F: Eu tive 5 senseis ao todo. Naruse, Kamiya, Nakane, Inoue e Kondo sensei.
D: O que você achou do formato de professores em equipe?
F: Ótimo. Permite uma boa variedade, e já que o programa é tão
intensivo, dessa forma não fica tão cansativo. Fiquei surpresa de perceber o quanto
aprendi em apenas 2 semanas. E também é incrível o quão personalizado é o ensino.
Eles ajustam-se rapidamente aos pontos fortes e fracos de cada indivíduo, e parecem
realmente importar-se. Mesmo tendo alunos entrando e saindo a cada duas semanas, eles
sabem o nome de todo mundo, por quê estamos aqui, e tudo isso. Eles até fizeram um
pequeno cartão pra mim no meu último dia. Fiquei muito emocionada com isso, e com
toda a atenção pessoal.
D: Onde você viveu durante o
programa discovery?
F: Num apartamento compartilhado na Residence U.
D: E como foi?
F: Olhei todas as
fotos, a
planta e o
streaming video com antecedência.
O vídeo foi bem útil, a propósito. E na realidade o local aparentava muito melhor
do que eu esperava....
D: Oh?
F: Bem, geralmente as pessoas apenas te mostram as melhores fotos que elas têm, certo?
Então eu estava esperando que fosse pior. É, na verdade, um apartamento muito bom, então fiquei
feliz.
D: Como você vai até o campus?
F: Consegui uma bicicleta usada.
D: Quanto tempo leva o trajeto?
F: Para chegar à escola, cerca de 5 minutos. Para ir para casa, cerca de 15 a 20 minutos,
acho. O mesmo tempo que leva caminhando...
D: Ah - o pequeno morro.
F: Não estou muito em forma, acho. A última subida é meio difícil. Talvez eu simplesmente
não tenha pernas muito fortes, ou é porque eu seja também muito cautelosa, pois não estou
acostumada a andar de bicicleta.
D: Posso fazer algumas perguntas sobre a tour?
F: Claro.
D: Onde você mais gostou de ter ido?
F: Tokoname
foi fantástico. Foi muito legal fazer a cerâmica com um cerâmico-mestre, na base giratória.
Principalmente suas reações. Toda vez que ele virava as costas por um segundo que fosse
para ir ajudar os outros, eu conseguia arruinar minha cerâmica de uma forma diferente.
Ele não falava nada de inglês, então foi muito divertido.
D: O que ele dizia a cada vez que olhava a sua cerâmica?
F: Entre as convulsões de gargalhadas, era algo em torno de "Objet d'Art"?
Que é ao que minhas criações mais se assemelhavam na maioria das vezes. Qualquer
coisa, menos o que elas originalmente deveriam ser.
D: Farão ótimos 'omiyage'.
F: É. Também gostei de fazer o shibori em
Arimatsu. Aquela
pequena vovozinha nos ensinando foi demais.
D: E sobre as viagens durante a noite?
F: Nara, claro.
Caminhar durante a noite quando lugares como
Kofukuji
estavam iluminados, os reflexos no lago. Também adorei tocar os tambores no salão de jogos,
há jogos incrivelmente divertidos lá. E a casa de yakiniku que fomos em
Nara era ótima.
D: E
Wakayama?
F: Wakayama foi ótimo. Adorei caminhar pelos penhascos, e observar as pessoas no
Onsen Yunomine.
D: Como você descreveria a carne de baleia?
F: Um pouco parecida com carne desidratada, charque, acho. Eu preferi as outras
coisas da refeição, principalmente o sashimi.
D: E sobre a estrutura da
tour discovery em si?
F: Fiquei espantada de ver que a tour continuou mesmo quando haviam apenas duas pessoas,
em certas horas. Além disso, foi mais flexível do que eu esperava. Me inscrevi para ela
porque estava sozinha no Japão pela primeira vez, e queria ver muitas coisas sem ter que
me preocupar muito. Mas eu estava esperando algo mais rígido, não sei, mais 'japonês', acho.
Sabe, tipo
"OK, todos, são 11:22h agora. Permaneçam juntos e sigam a bandeira, temos que estar de
volta ao ônibus às 11:43 em ponto", e coisa e tal. Ao invés, foi bem descontraído e
tranqüilo, e vimos e fizemos coisas que eu nunca iria poder experienciar se estivesse
viajando sozinha.
D: Com exceção da tour de sorvetes?
F: (rindo) Sim, acho. Deveria haver algum tipo de local de compra freqüente, para
os amantes de sorvete. Experimentei todos os tipos diferentes de sorvete que pude, gergelim,
feijão azuki, sabor chá com leite, chá verde, até sorvete sabor miso.
D: Fiquei sabendo que você também andou comprando alguns souvenirs fora do comum.
F: Não, não, só um monte de coisas legais. Comprei uma guitarra elétrica na Shimamura
Music, no shopping center Aeon, que é linda. Também eletrônicos, como um aparelho para mp3
no Eden, na rota 248.
D: E um liquidificador da hello kitty?
F: Hm (rindo), sim. E bonecas da
Yoshihama Ningyou. E canetas fluorescentes. Tem muita coisa legal pra comprar, e
gostaria que muito disso estivesse disponível nos EUA.
D: O que a impressionou mais sobre o Japão?
F: As pessoas, acho. A educação e colaboração no geral. Quando vim à
Yamasa, vim via Osaka, então tive que pegar o trem. Eu não sabia nada de japonês, e tinha
que fazer várias baldeações. Mas as pessoas ao meu redor foram muito amigáveis e colaboradoras.
Outra vez, uma amiga e eu queríamos ir à praia, mas estava chovendo, então fui visitar sua
host family, ao invés. Na realidade eles simplesmente apareceram na minha porta e fomos todos
passear, no fim de semana. Fomos ao
castelo e ao local de fabricação de
Hatcho Miso. Comemos no
kaiten sushi, fomos fazer compras.
D: Alguma experiência em particular, que você não irá esquecer nunca?
F: Escalar o
Monte Fuji. Foi durante a primeira semana em que estive aqui. Vários de nós simplesmente
decidimos ir e escalar. Foi maravilhoso. O céu ficava mudando de cor, e era tudo muito lindo.
D: Você andou ao redor da cratera?
F: Sim. Levou cerca de 40 minutos. Ainda havia neve dentro, mesmo sendo verão.
Infelizmente, passamos reto por uma das paradas no caminho de volta, e ficamos meio
perdidos. Levou apenas 5 ou 6 horas pra escalar, mas a descida levou cerca de 14 horas.
Meus pés ainda estão doloridos disso.
D: O que vem em seguida pra você, agora que a tour chegou ao fim?
F: Nova Iorque. Investimento bancário em New York City. Espero poder ter algumas aulas
de japonês na Japan Society, e tentar manter meu japonês com isso e com a
escola online.
D: Ok. Bem, muito obrigado pela entrevista e comentários. Boa sorte e sinta-se
à vontade para fazer uma visita quando estiver de passagem por Okazaki.
F: Obrigada.
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